..:: Scriptura Comentários Bíblicos::.. . .

. .

A Teoria do Intervalo

Teoria do Intervalo é uma das várias maneiras de se entender a doutrina bíblica acerca da criação. Tal teoria surgiu como uma forma de esclarecer diversas questões que são levantadas nos primeiros capítulos de Gênesis, obviamente utilizando dos recursos bíblicos e também de um pouco de filosofia. Apresentaremos resumidamente algo sobre a teoria do intervaloe os principais pontos de vista de seus defensores. Afirmamos que, sabendo que a Bíblia Sagrada não nos dá base suficiente para pendermos absolutamente para nenhuma das interpretações, e também sabendo que não podemos ser neutros, apresentaremos as afirmações e procuraremos dar nosso parecer acerca das opiniões expostas.

Primeiro Ponto: O que nós chamamos de criação foi na verdade a recriação

Os que defendem a Teoria do Intervalo procuram desenvolver sua teologia embasada não somente na revelação bíblica mas também nas descobertas científicas e arqueológicas. Os tais defendem a existência de vida a milhares e milhões de anos na Terra. Nesta linha teológica, o que chamamos de criação foi na verdade a recriação de um mundo anteriormente criado mas que foi alvo de um evento destruídor. Neste pensamento, Gênesis 1.1 trata realmente do princípio, porém Gênesis 1.2 trata de um período imensuravelmente posterior ao princípio.

E a terra era sem forma e vazia...Gn 1.2

Defendem os tais que esta tradução seria mais correta se afirmasse que a Terra tornou-se sem forma e vazia. O que teria acontecido? Este evento destruídor poderia ter sido causado quando Satanás foi expulso do céu sendo lançado a Terra:

Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! (Is 14.12)

Nesta destruição, diversas espécies de animais haveriam sido extintas, como os dinossauros, o que justificaria a existência de fósseis destes enormes animais, que não são mencionados na recriação.

Segundo Ponto: Houveram gerações anteriores a Adão

O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
(Ec 1.9-11)

Que significa isso, senão que os que foram antes da geração adâmica já possuíam conhecimento de tudo antes de nós? E nós não temos lembrança nem conhecimentodas coisas que foram no tempo deles. Mas, por algum motivo, esta geração veio a ser completamente dizimada. Pela queda de um meteoro, por suas próprias ações, não se sabe. A descoberta de fósseis de milhares de anos atrás seria a comprovação da veracidade destas gerações. Defendem ainda que algumas destas sociedades poderiam ter resistido a destruição, ou, em outras afirmações, entendem que a criação de Gn 1.26 difere da criação de Adão em Gn 2.7. Esta afirmação seria a alternativa filosófica para se responder diversas perguntas, por exemplo:

a) Quem foi a esposa de Caim (Gn 4.17)?
b) Quem ensinou Caim e Abel a fazerem sacrifícios (Gn 4.3-5)?

Terceiro Ponto: Cristo é a Sabedoria de Deus em Pv 8

Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; 28 Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, 29 Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. 30 Então eu estava com ele na obra; e eu era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; 31 Regozijando-me no seu mundo habitável e enchendo-me de prazer com os filhos dos homens. (Ec 8.27-31)

Se crermos na veracidade desta tipologia (e realmente as coincidências entre a Sabedoria e o Logos são grandes), o Logos teria vivido nesse mundo habitável entre os filhos dos homens, que representariam uma nação pré-adâmica. Por este trecho, ficaria claro a existência de nações milhares de anos antes da formação de Adão. A Terra era um lugar maravilhoso onde já existiam e viviam tais homens. Se o Senhor se alegrava com os filhos dos homens, o termo filhos remonta renovação de gerações, isto implicaria que não eram populações estagnadas, mas que procriavam e se renovavam. Se tinha prazer, esta geração não vivia em pecado, pois o mesmo afasta o homem de Deus.

Quarto Ponto: Satanás regia e debilitava estas nações

Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! (Is 14.12)

Nesta mesma visão, sabendo que mesma a Teologia Convencional defende que Deus destina um príncipe para algumas nações (Miguel, o grande príncipe, seria o responsável pela nação de Israel Dn 10.13), Satanás poderia ser o principado responsável por esta nação. Porém, visando ser superior a Deus, passou a debilitar as nações que regia e arquitetar seu improvável plano de subir acima das estrelas e colocar seu trono acima do Altíssimo. Não poderia. Essa afirmação seria embasada em algumas passagens, como:

E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu (Lc 10.18)

Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 13 Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o topázio, o diamante, a turqueza, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado, foram preparados. 14 Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.
16 Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras afogueadas.
17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. 18 Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu a ti, e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem. 19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste e nunca mais serás para sempre. (Ez 28.12-19)

Se não separarmos na profecia de Ezequiel o que foi tipicamente pecado do rei de Tiro e o que neste rei se assemelhava a Satanás, entenderíamos que Satanás neste mundo pré-adâmico teria agido com corrupção nos caminhos que o Senhor havia lhe determinado. Teria sido lançado em terra aos olhos de todos aqueles que viveram em tal tempo.

Considerações do Adminstrador do Scriptura

Sabíamos desde o começo que o comentário de Gênesis nos forçaria a tratarmos de diversos pontos polêmicos e complicados. Quanto a teoria do Intervalo e todas suas vertentes que vão surgindo com o tempo, vemos que ela é eficaz para responder muitos dos anseios que surgem numa leitura mais apurada e de um estudo mais aprofundado dos primeiros capítulos da Bíblia. Porém, em muitas de suas afirmações, utiliza-se de versículos fora de contexto (que nem por isso podem ser desprezados) e de recursos de filosofia, pois a Bíblia mesmo não nos deixa nada além de pistas para uma ou mais "possíveis" gerações pré-adâmicas. Como somos ensinados a examinar todas as coisas, porém reter o que é bom (1 Ts 5.21), devemos sempre nos lembrar de um versículo que considero fundamental para qualquer análise de afirmações que precisem ir ALÉM BÍBLIA:

As coisas encobertas são para o SENHOR, nosso Deus; porém as reveladas são para nós e para nossos filhos, para sempre, para cumprirmos todas as palavras desta lei. (Dt 29.29).

Dc. Sérgio E.G. Fernandes
Administrador do Scriptura