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Capítulo 04 vv. 01-06
O escritor aos Efésios aparenta afastar-se um pouco do texto doutrinário da epístola e aqui, seguem-se diversas considerações acerca da conduta do cristão em meio a este mundo tão complicado. É interessante entendermos o modo de ensino de Paulo, pois por muitas vezes ele fazia uso de sua autoridade como apóstolo para expor doutrina e prática cristã (1 Co 7.12,25,40), mas, nisso tudo, seu propósito maior era poder apresentar a Igreja imaculada na vinda de Cristo (2 Co 11.1-6). Aqui em Efésios, entendemos que Paulo trabalha com a mesma meta, o mesmo ideal. Ele inicia dizendo: Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno de vossa vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em, amor, (Ef 4.1-2). O que paulo faz não é meramente orientar, mas apelar, clamar, quase instigar seus leitores a estarem dispostos a viverem nestes termos citados. A começar, eles devem andar de modo digno de sua vocação. Aqui vemos o clamor do apóstolo pela necessidade de seus leitores andar na direção correspondente a sua vocação, que implicará com certeza numa jornada de comunhão com Deus e contínuo aprendizado de Sua revelação na Palavra Escrita, além de, principalmente, dar-nos o entendimento de que nós, servos do Senhor, devemos viver esta vida de forma a dignificar o nome daquEle que nos chamou, obecendo suas palavras e seus conselhos para as nossas vidas. Andar de forma digna, no contexto, inclui pelo menos quatro características básicas, a saber:
Paulo, após expressar essa lista de características dos cristãos que andam segundo sua vocação, começa a trazer a tona seu propósito mor nessas afirmações: zelar pela unidade da Igreja do Senhor: esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4.3). Manter a unidade é dever de cada cristão, e, isso torna bela a manifestação da igreja como agente do Reino de Deus, pois, mesmo diante das diferenças culturais, raciais e até econômicas de seus componentes, a verdadeira Igreja do Senhor se mantém coesa, unida, com os mesmos propósitos e ideiais, uma vez que nosso Deus não faz acepção de pessoas. Isto é visível demais quando analisamos a Igreja de Cristo, pois há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação, há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos (Ef 4.4-6). Estes diversos requisitos demonstram a gloriosa unidade do Corpo de Cristo na fé. Quando lemos que há um só corpo, remetemos a Igreja como corpo de Cristo, que é o cabeça (Ef 1.22,23). A unidade do Espírito nos lembra a extensa lição doutrinária dada aos coríntios, para que entendessem que embora houvesse diversidade de dons, o Espírito era o mesmo que operava tudo em todos (1 Co 12.12-31). Para todos os cristãos, há somente uma esperança, que é a vinda do Senhor Jesus Cristo e a possibilidade de uma vida eterna ao lado de Deus, com a imagem de Deus em nós completamente restaurada. A unidade do Senhor nos faz entender que, sendo todos participantes de um mesmo reino, somos todos servos do mesmo Rei, que é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, o nosso Cristo, e estamos a Ele ligados por uma mesma fé, a fé salvífica que nos fez receber a oferta da graça e sermos vivificados em Cristo (Ef 2.10). Um só batismo é a afirmação de que todos os cristãos foram iniciados na fé pelo mesmo sacramento, o batismo em águas que é ordenança do Senhor (Mt 28.19; Mc 16.15,16). A extensa lista termina com a expressão um só Deus, que é Pai de todos, e nos faz lembrar que, ao recebermos a graça salvífica, recebemos o poder de seros feitos filhos de Deus (Jo 1.12), pela adoção de Filhos (Gl 4.5,6). Este Pai é sobre todos e age por todos e por meio de todos. Esta aplicação da verdade de Deus nos faz entender a importância da unidade da Igreja e o quanto se torna uma atitude dezprezível quebrar este vínculo de unidade.
(1) Ef 4.3, Unidade do Espírito, trata com certeza da união espiritual da Igreja, operada pelo Espírito Santo, onde os membros do Corpo, independente de quaisquer valores culturais ou sociais que os difiram, não fazem da Igreja Universal um corpo repleto de rupturas, mas sim, coeso.

Viva a Palavra
Quando somos cheios do amor de Deus, nos tornamos capazes de tolerar nosso irmão e encaminhá-lo, de forma piedosa e terna, aos retos caminhos do Senhor.