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Capítulo 04 vv. 07-16
Ainda tratando do tema de unidade no Corpo de Cristo, o escritor bíblico inicia uma explanação acerca do santo ministério constituído com o intuito de aperfeiçoamento dos santos na face da terra e a unidade da fé. Paulo inicia este assunto nos mostrando uma verdade gloriosa: Sendo nós membros de um mesmo corpo, não possuímos todas as mesmas funções e utilidades, mas cada um de nós possui da parte de Deus uma vocação, uma vontade determinada por Ele para as nossas vidas: E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo, (Ef 4.7). A expressão "graça" aqui denota principalmente uma dádiva de Deus a cada um de seus redimidos, visando que por ela todo o corpo seja edificado. Cada um de nós possui uma instrumentabilidade definida pela vontade de Deus, que, segundo sua infinita sabedoria, nos concede segundo seu querer. Paulo segue seu pensamento citando um trecho bíblico bastante conhecido, que diz que "quando Ele subiu as alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens" (Ef 4.8; cf. Sl 68.18). Esta passagem nos remonta todo o ensino de Cristo sobre sua ascenção (Jo 16.5-7), na qual Ele afirmava que subiria, pois, se assim não fizesse, o Consolador não viria, e, a citação do Salmo, que é intrinsicamente associada a ocasião da festa de pentecostes, onde Cristo ascendeu aos céus e deu dons aos homens, isto é, pelo Espírito, repartiu dons espirituais a todos os redimidos seus (1 Co 12). Esta é a tradução mais adequada no contexto apresentado, pois os próprios dons tem função para manter a unidade do corpo. Assim, entendemos que na ascenção, Cristo enviou o Consolador como havia prometido, cummprindo a promessa do derramamnto do Espírito feita por Deus pelo profeta Joel (Jl 2.27,28).
A sequencia do texto é ainda mais desconcertante, onde lemos na ARA que "ora, que quer dizer 'subiu', senão que também havia descido até as regiões inferiores da terra?" (Ef 4.9). Que o entendimento da expressão subiu indica que Cristo foi exaltado em glória após a ressureição, a próprio revelação da Palavra já nos mostra. mas, o que dizer quanto 'havia descido'? A ARC usa a expressão 'antes, havia descido', o que parece indicar um tempo real antes da ascenção, talvez compreendido entre a morte e a ressureição, ou entre os 40 dias entre a ressureição e a ascenção. Há várias opiniões quanto ao entendimento, alguns afirmam ser uma afirmação quanto a humilhação de Cristo em sua encarnação, outros, a humilhação em sua morte, outros, ligam este trecho com 1 Pe 3.19;4.6, dizendo que Cristo em sua morte visitou o Seol Hades e ali pregou aos santos do AT, e os levou cativos ao céu (vv. 8). Verifique na nota ao lado e veja a opinião do autor do site e comentarista desta epístola. Seguindo o ensino, Paulo reafirma que Cristo subiu acima de todos os céus, para preencher todas as coisas (ARC diz para cumprir todas as coisas), Ef 4.10. Que é a vontade de Deus Pai fazer convergir em Cristo todas as coisas, já foi revelado nesta epístola (Ef 1.8-10), mas parece-nos haver um entendimento maior no termo, especialmente quando pensamos que o ministério de Cristo continuou no céu, isto é, Cristo ainda cumpriu no tabernáculo celestial sua obra de redenção (para entendimento deste trecho, é necessário um aprofundado estudo em Hebreus, que será um dos próximos comentários do Scriptura). Uma vez cumprida a obra da redenção, Cristo preparou o aperfeiçoamento do Seu Santo Ministério, que Ele concederia aos homens para a unidade da Igreja. É interessante que os dons do Espírito estão a disposição de todos, os dons de Cristo para o ministério não. É Cristo quem escolhe os ministros da Igreja, pois o ministério é um dom de Cristo. Aqui, vemos a expressão de que Cristo concede dons específicos para que os ofícios citados sejam cumpridos. É perfeitamente provável que hoje, na forma hierarquca que o ministério nas igrejas cristãs existem, existam diáconos, pastores e bispos com alguns destes dons ministeriais e sejam, de fato, designados nestes oficios por Cristo sem o reconhecimento de título por parte da Igreja em que servem ao Senhor.
Lemos que "E Ele mesmo deu concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e mestres" (Ef 4.11). Vemos aqui cinco funções ministeriais concedidas por Cristo para aperfeiçoamento do ministério. O primeiro são os apóstolos, que vem no grego traz um entendimento de alguém "enviado". Devemos diferenciar aqui pelo menos dois tipos distintos de apóstolos: os apóstolos originais (1 Co 15.5; Ap 21.4), que andaram com Cristo e viram sua morte e testemunharam sua ressureição, do apostolado enquanto dom de Cristo à Igreja, da qual o próprio Paulo fazia parte (ele nunca andou com Cristo e nem foi testemunha dos eventos pós ressureição. O apostolado original encerrou-se com o fim da era apostólica. O apóstolado enquanto dom de Cristo continua ativo no seio da igreja do Senhor, e disto vemos o testemunho e amparo bíblico na própria igreja primitiva no Livro de Atos (Gl 1.9; 1 Ts 2.7; Rm 16.7). Há hoje em alguns redutos cristãos que o apostolado pode ser melhor visto na Igreja de hoje no trabalho de missionários (considero isso válido), embora haja denominações que unjam pessoas como apóstolos (especialmente no movimento neopentecostal), mas sem critérios específicos para o mesmo, e isso é muito preocupante. Lemos ainda sobre os profetas, e isso deve ser visto com muito cuidado por alguns motivos: primeiro, a unção profética segundo a ordem do AT, onde pessoas era separadas por Deus com o ministério profético para aplicar a revelação da Palavra de Deus e da Lei no meio do povo, foi encerrada em João (Mt 11.13). Também o que lemos aqui é diferente do dom de profecia, listada em 1 Co 12, pois enquanto pelo uso do Espírito no dom todos podem profetizar, o ofício ministerial de profeta concedido por Cristo é dado somente para alguns do corpo, como ofício permanente. Porém, este ofício em muito difere do profeta AT: as palavras do ministério profético não tem autoridade comparável a das Escrituras, até pelo fato de sua mensagem não vir por transe ou coisa parecida, mas sim, pelo próprio uso das Escrituras já reveladas, e por isso, sua mensagem deve ser analisada, e, de uma forma geral, tais pessoas são constrangidas pelo Espírito a zelar pela santidade no meio do povo de Deus. Afirmar que este ministério se restringe aos primeiros tempos da era da Igreja é uma afirmação que carece de embasamento bíblico. Se Cristo asseverou contra os falsos profetas é porque na história haveriam "verdeiros profetas". Mesmo escritos que eram observados nos primeiros séculos da Igreja, porém não canônicos, como o Didaqué, traziam instruções acerca do ministério dos profetas.
Lemos também sobre os evangelistas, que eram pessoas dotadas por Deus para proclamarem a Palavra de Deus e a mensagem de salvação, e isso por meio de sinais e prodígios, como é o caso de Filipe, o evangelista (At 21.8;8.4-13), e, ao que nos parece, seu ministério tinha um caráter de itinerância. A Bíblia, porém, não maior amparo para escrevermos sobre esse ministério, e no Brasil essa terminologia é muito usada pela AD e igrejas dissidentes dessa denominação. Também há menção de pastores, que no original grego aparece junto com mestres por um mesmo artigo. No testemunho da Igreja Primitiva, em Atos, lemos que na Igreja de Antioquia havia doutores e profetas, mas não lemos sobre pastores. Porém, ao longo das epístolas, há diversas referências sobre aqueles que são chamados para pastorear (1 Pe 5.2), que sejam aptos a ensinar (1 Tm 3.2), entre outros. Portanto, os pastores foram chamados para pastorear, e isso farão fornecendo o alimento espiritual para as ovelhas e as protegendo dos perigos espirituais. De uma forma geral doutores (mestres), parecem ter um ofício próximo do de um pastor, mas, principalmente, no que tange a compreensão e ensino das Escrituras. Estes cinco ministérios abrangem toda a obra confiada a Igreja por Cristo: pregar o evangelho (apóstolos e evangelistas), fazer discípulos (pastores e doutores) e ser modelo de santidade (profetas). Louvado seja o nome do Senhor.
O propósito do santo ministério é explicado por paulo: "com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo, (Ef 4.12). Este processo visa um alvo bem definido, que o de "até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varolinidade, a medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia dos que induzem ao erro" (Ef 4.13,14). Este tempo descrito por Paulo no versículo 13 faz menção do destino final de todos os redimidos, como formos conforme o Cristo ressureto é. E todos nós devemos nos empenhar nesta vida para alcançar este alvo. Porém, devemos entender que se não estivermos atentos ao santo ministério dado por Deus a Igreja, seremos como meninos, isto é, pessoas ainda sem maturidade, capazes de acreditar em qualquer coisa como sendo verdade, o que Paulo chama de ventos de doutrina. As falsas doutrinas são como vento: surgem sem explicação, e, se não estivermos firmados, acabam nos levando consigo enquanto passam. São artimanhas do inimigo tentando nos afastar da fé original, e são ocasionais pela astúcia de homens que conduzem ao erro.
Porém, o Corpo de Crsto embasado na Palavra, está colocado dentro do versículo 15: Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda a junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor (Ef 4.15,16).
(1) Ef 4.8, levou cativo o cativeiro, é uma dessas expressões que nos chamam muito a atenção no texto bíblico, mas são de dificil interpretação. De uma forma geral, alguns grupos entendem que Cristo, enquanto conquistador, venceu seus inimigos na cruz e os fez cativos, e quando subiu ao céu, levou cativo os despojos desta vitória (seriam presentes) e os distribuiu entre os seus eleitos. Até nos parece o episódio de Abrão e Melquisedeque, na batalha dos quatro reis contra cinco (Gn 14). Outros tem preferido entender aqui que na ascenção, Cristo levou cativo os justos que estavam no Seol para um paraíso recém-inaugurado no céu, e isto parece ter amparo bíblico, pois o versículo seguinte diz que Cristo desceu as regiões inferiores da terra, e no entendimento daquela época era onde estava o reino dos mortos, o Seol. Nesta linha teológica, Cristo desceu ao Seol, pregou aqueles que morreram na fé de alcançar as promessas de redenção de Deus (como Gn 3.15, a exemplo), e os levou cativos ao céu, ao paraíso, para aguardarem o momento da ressureição. De uma forma geral, esta linha teológica tem sido amplamente aceita nas denominações evangélicas e o autor que vos escreve também nela tem crido.

Viva a Palavra
Que cada um de nós possa, com muito zelo, oração e submissão a Deus pela Sua Palavra, encontrar nossa missão dentro do Corpo de Cristo e auxiliar o crescimento desta obra gloriosa iniciada por Nosso Senhor.