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Capítulo 04 vv. 17-24

Paulo escapa por alguns instantes da unidade cristã, mas aqui continua como tema a vida cotidiana do cristao e suas aplicaçoes práticas, e neste particular, Paulo trata de um assunto especialmente atual para nossos corações: a diferença entre a nova vida em Cristo para a anterior vida morta em pecados e ofensas contra Deus. É interessante notarmos que o pensamento paulino sempre foi o de identificar o cristão como alguém que é na verdade uma nova geração (Ef 2.1), com identididade, inclinações e ações distintos da atual ordem do mundo. Assim paulo começa esta seçao da epístola: Isto, portanto, digo e no Senhor testifico, que nao andeis mais como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios a vida de Deus, por causa da ignorancia em que vivem, pela dureza do seu coraçao, os quais, tendo tornado-se insensíveis, se entregaram a dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza (Ef 4.17-19). A urgencia desta mensagem pode ser vista na expressão no Senhor testifico. Era algo as vistas de Paulo de grande importancia. O desejo de Paulo era de que seus leitores não andassem mais como os gentios, pois eles próprios já não eram mais gentios, mas ainda conviviam com pessoas alheias a vida de Deus, por isso, seu procedimento deveria ser superior em justiça e moral. Entregues aos seus próprios pensamentos, que eram de pessoas carnais e com a natureza humana operando devastadoramente, estavam sem condiçao nenhuma de entenderem a imoralidade de seus atos, eram alheios a vida de Deus, e, além de tudo, tinham coração endurecido. Isso fez com que eles se entregassem a dissolução, cometendo assim toda sorte de impureza. A NTLH (Nova tradução na linguagem de hoje), afirma que "eles perderam toda a vergonha e se entregaram totalmente aos vícios, não tendo nenhum controle e fazem todo tipo de coisas indecentes". Esta verdade é muito viva dentro da afirmaçao. A palavra insensível, que aqui e utilizada (vv.19) faz uma espécie de junção em todo o contexto e nos aclareia o texto, nos fazendo entender que estes gentios perderam a apreciação pela verdade de Deus, já não conseguindo sentir vergonha nenhuma em face do mal, da imoralidade.

Paulo suspende sua narrativa e parece trazer esta realidade aos ouvidos dos seus leitores como advertencia: Mas nao foi assim que aprendestes a Cristo (Ef 4.20 ARA). Paulo quis expressar que os crentes leitores da epístola não foram ensinadados desta maneira a serem seguidores de Cristo. O cristianismo mais do que qualquer outra é uma religião prática e ética, isto é, afirmar ser cristão implica um comprometimento ético com os pilares da moral cristã. É isso que Paulo assevera tão enfaticamente. E, estes mesmos seguidores com certeza já haviam aprendido que a verdade estava em Jesus (vv. 21). Isto ocasionaria neles a aplicação de uma profunda verdade da religião cristã: no sentido de, que no trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscencias do engano, e vos renoveis no espirito do vosso entendimento e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão precedentes da verdade (Ef 3.22-24). Novamente, caímos na realidade da nova geração em Cristo, da necesssidade destes que experimentaram o novo nascimento viverem de modo digno de sua vocação. A figura aqui e a de um vestuário. Nós devemos pegar estas roupas sujas da nossa velha natureza, impregnada de manchas, rancores e pecados, e que se corrompe, por uma vestimenta mais adequada a nossa vocação, que é o chamado "novo homem", criado por Deus, bordada com a justiça e a retidão segundo a verdade de Deus. Aqui, no ato do despojamento, fazemos uso do plano da salvação para compreensão: para alcançarmos a salvação, a graça de Deus nos levou a nos arrependermos de todos os nossos pecados. Se nos arrependemos, porque continuamos neles? Então, o despojar-se do velho homem do versículo 22 indica um abandono de todas as caracteristicas pecaminosas que nos acompanham. Esse passo é feito desta forma pela renovação do espírito do nosso entendimento, e vale frisar que o espírito aqui frisado é o espírito do homem. Agora, iluminados por Cristo, nossa mente que é uma das forças motoras de nossas ações será constantemente renovada por Deus, para que saibamos escolher o que é justo e reto. Isso é o sinal para que experimentemos o que Paulo chamou de "novo homem", ou "nova vida". Este é um texto estritamente ético. A ética é o estudo crítico da moralidade, e norteia as decisões que as pessoas fazem. Esta operação afirmada por Paulo infringe em nós uma iluminação ética diferente, pois antes e tomarmos escolhas, seremos lembrados pelo Espírito Santo que agora em nós habita que, diante de nossa vocação, haveremos de fazer escolhas que reflitam a justiça e a retidão de Deus. Se o homem que afirma ser cristão não viver uma vida de justiça e retidão, afirmamos cabalmente que ainda nao experimentou a transformação divina, ou deixou que esta obra fosse novamente obscurecida pela velha natureza.

 

 

 

Comentários e Contexto

(1) Ef 4.19, dissolução, traz uma idéia múltipla, pois a palavra no original traz consigo a idéia de violencia, licenciosidade, libertinagem, uma espécie de oposição consciente aos padrões morais da sociedade.

(2) Ef 4.24, justiça e retidão, a justiça aqui trata do desempenho dos homens em relaçao aos seus deveres para com próximo. A retidão é a mesma coisa, mas trata dos deveres do homem para com Deus. Numa vida transformada pelo poder do evangelho, ambas as características nortearão todas as escolhas.

Viva a Palavra

Sejamos justos e retos, como foi Noé (Gn 6), para que assim sejamos aprovados pelo Senhor em tudo. Creia nisso: Deus não se engana com o que parecemos ser, mas conhece o que realmente somos.